Como a Michelin desenvolveu os superpneus que levam o Bugatti Chiron a 490 km/h

FORAM DOIS ANOS DE DESENVOLVIMENTO DOS EXCLUSIVOS PNEUS (FOTO: DIVULGAÇÃO)

O novo recorde mundial de velocidade para um veículo de produção foi alcançado pelo Bugatti Chiron, com 490 km/h atingidos na pista da Bugatti, em Ehra-Lessien, na Alemanha.

Na beira dos 500 km/h, tudo está no limite. Para acrescentar meros 5 km/h à velocidade máxima é preciso investir um caminhão de tempo (e dinheiro) em desenvolvimento.

E um dos maiores desafios está no contato do carro com o solo. Isso ficou à cargo do Michelin Pilot Sport Cup 2. Além de suportar todo o peso do veículo, é necessário arcar com uma quantidade de calor imensa causada pelo atrito com o asfalto, e suportar a força centrífuga dos materiais que compõem o próprio pneumático.

Autoesporte conversou com Pierre Chandezon, responsável pela equipe de desenvolvimento dos pneus Michelin para a Bugatti. O projeto foi realizado no Centro Tecnológico da Michelin, em Ladoux, na França, e nas instalações de testes aeronáuticos em Charlotte, na Carolina do Norte (EUA).

PROJETO FOI FEITO NA FRANÇA E NOS ESTADOS UNIDOS (FOTO: DIVULGAÇÃO)

O supercarro conta com um colossal motor 8.0, de 16 cilindros dispostos em W, quatro turbos, 1.578 cv, 163 kgfm de torque, transmissão automática de sete marchas e tração integral. Para aguentar tanta brutalidade, foram necessários dois anos de desenvolvimento dos pneus.

“Trabalhamos com a Bugatti há quase 20 anos e projetamos pneus para o Veyron e depois para o Chiron. Quando começamos o desenvolvimento do Pilot Sport Cup 2, que leva a sigla “BG” para identificá-lo como exclusivo, tínhamos esse recorde de velocidade em mente e um compromisso com a Bugatti de que iríamos atingir os níveis necessários”, conta Chandezon.

PNEU RECEBEU REFORÇO PARA AGUENTAR A PRESSÃO (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Segundo o executivo, o fator determinante que fez o pneu aguentar tanta pressão foram os reforços feitos em sua carcaça para ser capaz de aguentar as forças de centrifugação, equivalentes a 5.300 vezes a força da gravidade.

Quando o carro faz curvas, os pneus recebem forças laterais – centrífuga e centrípeta. A força centrífuga faz com que o carro perca estabilidade e saia do trilho, aumentando o atrito com o solo.

SUPERESPORTIVO FOI PROJETADO PARA CHEGAR A MAIS DE 500 KM/H NOS TESTES (FOTO: DIVULGAÇÃO)

No caso do Chiron, essa força seria o suficiente para estourar o pneu, se não houvesse nenhum reforço muito forte. A força centrípeta é a responsável por manter a aderência do carro.

Por exemplo, em um carro com velocidade de 300 km/h, o pneu atinge uma força de cerca de 3 toneladas, no caso do Sport Cup 2, são mais 7 toneladas a 440 km/h, algo semelhante às forças imprimidas em um carro de Fórmula 1.

“Para garantir que os pneus aguentassem toda a pressão, fizemos testes para suportar até 510 km/h em uma máquina feita para realizar testes espaciais com os pneus que equipam o Space Shuttle”, exalta. Porém, a fabricante não respondeu por quanto tempo o pneu suporta andando a 490 km/h.

Porém, em 2011, quando o Bugatti Veyron Super Sport bateu o então recorde de velocidade para um carro de produção, marcando 431 km/h, os pneus Michelin também foram destaque por duas razões: duravam apenas 15 minutos na condição de velocidade máxima. E um jogo de reposição custava US$ 42.000.

Não havia risco de arrebentarem na velocidade do recorde, pois tinham durabilidade 50% superior à capacidade do tanque – que acabaria em dez minutos.

De acordo com o departamento de engenharia da Michelin, o resultado só foi possível por conta do equipamento espacial, pois, sem ele não haveria condições de testar os reforços dos pneus de forma segura a eficiente.

Para rodar a 490 km/h, cada pneu gira 68 vezes por segundo. Tudo é checado manualmente e os pneus foram verificados um a um por engenheiros – até um equipamento de raio x foi utilizado para a análise da estrutura interna.

O RECORDE JÁ DURAVA 12 ANOS E ERA DE UM SUPERESPORTIVO AMERICANO (FOTO: DIVULGAÇÃO)

O carro, guiado pelo piloto inglês Andy Wallace, teve algumas alterações para bater esse recorde. Câmbio e aerodinâmica passaram por melhorias. Também foi instalada uma célula de segurança extra para o piloto.

A Bugatti, que pertence ao Grupo Volkswagen, dedicou o recorde do Chiron para Ferdinand Piëch, ex-presidente da Volkswagen, morto no final de agosto, aos 82 anos.

VOLANTE ESPORTIVO TEM A BASE ACHATADA (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Um Bugatti Chiron custa a partir de 2,4 milhões de euros na Europa. A conversão direta, na cotação atual, corresponde a aproximadamente R$ 11 milhões.

Fonte: Revista Autoesporte

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